o que nem sempre é dito, mas deveria ser

Rumo ao futuro

Reencontrei esses dias o economista Marcio Pochmann em um evento em São Paulo. Considero-o uma das mentes mais brilhantes desse país. Justamente por sua capacidade, ele, um simples técnico, tem sido chamado a ocupar cargos políticos. Primeiro foi a Secretaria do Trabalho do Município de São Paulo, na gestão Marta, de onde saiu aplaudido por seu trabalho. Agora, está no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão subordinado à Presidência da República.

Antes de Marcio Pochmann, o Ipea atuava como uma espécie de sinalizador para o mercado financeiro. As coletivas de lançamento de seu boletim de mercados eram frequentadas pelos jornalistas da área de finanças, que também tinham como ídolo máximo um economistas que parecia ser a grande estrela da instituição: Fabio Giambiaggi. Este mais parecia um economista dos banqueiros pelo teor de suas declarações e era o grande guru dos repórteres de finanças. O Ipea naquela época era, então, uma fonte fácil para certos jornalistas e um órgão público que trabalhava para interesses privados.

Foto: Agência Brasil

Quando Pochmann assumiu a presidência do Ipea, empreendeu uma mudança no foco da instituição. Em vez de concentrar seu trabalho em boletins voltados a orientar o mercado financeiro, empreendeu-se um intenso trabalho de pesquisa em ciências humanas aplicadas com o objetivo de oferecer ferramentas para definir o futuro do País. Giambiaggi foi devolvido ao BNDES, de onde é funcionário.

Lembro muito bem das matérias que sairam na imprensa escrita quando o Ipea, na coletiva habitual que lançava o seu boletim de mercado, anunciou que não iria mais fazer isso. Os jornalistas habitués (que estavam acostumados a escrever apenas uma síntese das declarações do Giambiaggi) fizeram matérias forçando pontos de vista duvidosos, pois mais pareciam fofoquinhas de comadres – do tipo, os técnicos com quem eles estavam acostumados a conversar tinham sido proibidos de falar, esses técnicos estariam sendo perseguidos, o ambiente do Ipea estava ditatorial, o fulano ou o siclano deixou transparecer sua irritação na entrevista, a saída do Giambiaggi do Ipea foi devido a perseguição política contra ele etc. – como se isso fosse informação relevante.

Com o tempo, o trabalho do Ipea em seu novo rumo foi aparecendo e gradativamente está conquistando seu merecido reconhecimento. Agora começamos a conhecer um pouco da realidade desse imenso País e o Ipea nos fornece ferramentas para planejar o futuro do Brasil. E um futuro para todo o povo, não apenas para banqueiros.

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