o que nem sempre é dito, mas deveria ser

Uma coisa que me intriga no alagamento de Atibaia é o fato de que ela ocorreu porque a Sabesp abriu as comportas. Não sou técnica, mas tenho a sensação de que algo está errado nessa história. Se a represa estava no seu limite, por que não foi feito o bombeamento das águas antes da chuva?

O que sei é que isso me lembra uma inundação ocorrida em 1991 ou 1992, em que levei cerca de 4 horas para chegar ao jornal onde trabalhava na época. Isso porque eu estava a pé e pude pegar o metrô para atravessar a marginal e chegar a Santana, de onde pude pegar uma van que a empresa enviou para que os funcionários pudessem chegar ao trabalho. Teve gente que ficou preso no trânsito por mais de 8 horas e não conseguiu chegar.

O que me lembro é que teve uma chuva de manhã e à tarde, quando o sol já brilhava, é que as águas do Pinheiros e do Tietê começaram a subir. Mistério? Não, apenas uma explicação simples: depois da chuva, a Sabesp abriu as comportas e as águas acabaram invandindo as ruas. Havia quem dissesse que era proposital para manchar a imagem da então prefeita Luiza Erundina, mas não sei se essa hipótese era correta.

São Paulo é cercada por uma rede que interliga vários sistemas de represas. Quando o volume de água em uma delas sobe a níveis críticos, há uma série de procedimentos para redistribuir a água entre outras represas e, se necessário, para outro sistema hídrico. Há décadas que ouvimos que na época das chuvas, o verão, as águas nos reservatórios sobem a níveis críticos. Por que não se constroem novos reservatórios ou se toma uma atitude para evitar isso? Parece que preferem o improviso do menino que conteve o buraco no dique com o dedo, segunda a velha lenda holandesa.

Para quem não conhece, a Holanda é um país que tem boa parte de suas terras abaixo do nível do mar e tem inúmeros diques, que começaram a ser construídos há mais de um milênio ao longo de sua costa, para evitar alagamentos. Peter, o jovem da lenda, um dia andava pelo campo quando percebeu que havia um buraco em um dique, que estava prestes a romper. Ele tapou o buraco com o dedo e ficou lá toda a noite, até que no dia seguinte alguém que passava pelo local trouxe socorro. Como sua atitude salvou os moradores da vila, ele é considerado um herói nacional.

Só que aqui em São Paulo, o menino é toda a população, que não tem como conter águas que são vertidas de seus reservatórios sem os devidos cuidados.

 

 

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