o que nem sempre é dito, mas deveria ser

Arquivo para março, 2017

Telefone sem fio

Na minha infância, já remota, havia uma brincadeira muito popular chamada telefone sem fio (os que vemos hoje ainda não existiam nem na imaginação). As pessoas ficavam dispostas em algum tipo de fila (podia ser ao redor de uma mesa) e a primeira cochichava uma frase no ouvido da segunda, que a repassava à seguinte, sempre aos cochichos, até chegar à ultima. Inevitavelmente, o resultado do final da fila era muito diferente da frase dita inicialmente. Algo como “gosto de macarrão” virava “sabor de macaco” ou coisa pior…

Acredito que os reporteres que hoje trabalham na grande imprensa não tiveram a oportunidade de brincar com esse jogo, pois praticamente só os mais novos é que aguentam as agruras da reportagem e eles tiveram brinquedos mais interessantes em sua infância, como video games e assemelhados. Mas parece que estão brincando de telefone sem fio.

Ontem, vi uma matéria que dizia que um reporter da Reuter (sem citar nome) teve acesso a trechos do conteúdo do depoimento de Marcelo Odebrecht e citava o que seriam alguns trechos. Hoje, já vários jornais “informam” (?) que ele disse que Dilma sabia dos valores que a empreteira deu e por aí afora… Não há qualquer menção ao fato de que o depoimento é sigiloso. Portanto, tudo isso é uma imensa brincadeira de telefone sem fio.

Essa é a imprensa que temos nesse país. É brincadeira?

 

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