o que nem sempre é dito, mas deveria ser

              A barbárie do Pinheirinho ainda terá muitos desdobramentos. Alguns levarão anos, como a estimativa dos danos aos moradores expulsos de suas casas. Enquanto Geraldo Alckmin anuncia que os moradores receberão seis meses de aluguel social como se isso fosse capaz de abafar suas dores, os prejuízos deles ficarão por toda a vida.

Além de carregarem até o final de seus dias lembranças sufocantes, a expulsão dos moradores de suas casas está colocando em risco suas próprias vidas. Muitos não têm mais endereço e, assim, ficam sem condições sequer de se candidatarem a um emprego. Alguns viviam com pequenos bicos e agora não tem como se desdobrar para conseguir sustento. As situações precárias a que estão sendo submetidos prejudica sua saúde. Talvez alguns morram com crises de insuficiência respiratória… Quantificar esses danos é uma tarefa que vai durar alguns anos, talvez décadas.

Mas há um ponto urgente, que parece estar se perdendo no caos e espanto que essa situação provoca. Inúmeras testemunhas dizem ter visto pessoas, inclusive pelo menos uma criança, sendo mortas durante a desocupação. Váris depoimentos denunciam insistentemente que a PM de Alckmin deu sumiço nos corpos – algo que era comum na época da ditadura militar e que pensavamos que fazia parte do passado. Só não é compreensível por que ainda não se deu nome aos mortos, a melhor maneira de deixar sua memória viva e denunciar as atrocidades do governo paulista.

Não é possível que ninguém da comunidade do Pinheirinho saiba quem foram as vítimas. E também não é possível se denunciar o que houve sem nomes, casos concretos. Sem os nomes, esses mortos viram fantasmas que caem na vala comum do esquecimento.

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Comentários em: "É preciso dar nome aos mortos" (1)

  1. vinicius disse:

    ACORDA BRASIL -> Twitter #AcordaBrasil @AnonyVN !!!!

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