o que nem sempre é dito, mas deveria ser

                O caso do estupro na casa do BBB está dando o que falar nas redes sociais e não vou ficar chovendo no molhado e repetir que o fato de a menina não ser recatada não justifica, que não foi racismo, que o vídeo foi transmitido para todo o Brasil, que TV é uma concessão pública etc. Apenas acho que algumas outras questões passaram batido. A principal é a atitude da Globo de tentar vender gato por lebre.

No domingo a noite, Pedro Bial, que já foi um jornalista de grande credibilidade antes de virar essa caricatura que hoje aparece no vídeo, praticamente começou o programa com a frase: “O amor é lindo!” Foi uma tentativa de querer transformar um estupro em um caso de amor. Aliás, a própria maneira como a produção agiu, perguntando o que houve à participante que foi violentada, enquanto inconsciente, é absurda. Óbvio que alguém inconsciente não sabe o que aconteceu enquanto estava apagada. Então, nada mais era do que uma tentativa de distorcer fatos e fazer com que ela dissesse que nada houve e se colocasse uma pedra sobre o assunto.

Mudar a realidade em um “reality show” é, no mínimo, um contrasenso. Agora a tentativa de fazer com que a “sister” acreditasse que nada aconteceu é um segundo estupro. Aliás, nem os telespectadoes escaparam disso. Na segunda-feira, Bial disse para o Brasil inteiro que Daniel foi expulso do programa por “desrespeitar o regulamento”, sem explicar que item do regulamento foi desrespeitado (aliás, não há qualquer menção a esse regulamento para que possamos consultá-lo).

Sonegou a informação de que nas 24 horas anteriores as redes sociais cobraram a cabeça do rapaz e essa foi uma exigência da polícia para manter o programa no ar. E os telespectadores que não participam de redes sociais ficaram “boiando”. Esses mereciam no mínimo uma satisfação, uma explicação. Aliás, os participantes da casa, também.

Outra questão que merece debate é a atitude das pessoas diante de uma denúncia grave como essa. Surpreendi-me com um amigo, pelo qual tenho muita consideração, que acabou incorporando o santo do Rafinha Bastos em seus comentários. Aliás, várias pessoas chegaram a dizer que tudo deveria ser encenação, que quem entra num programa como o BBB está sujeito a isso, que não se poderia esperar outra coisa… Ou seja, segundo essa argumentação, denúncia de estupro só merece ser apurada se for na minha casa, ou na sua; não na rua, no metrô, no puteiro, no BBB…

Desviei de provocações no Twitter e no Facebook. Houve quem disse que se estava condenando o sujeito antes do devido processo, sem direito à defesa ampla e contraditório etc. Como se não houvesse um crime que foi transmitido para todo o Brasil, e com autoria conhecida. O que a Justiça vai discutir é as circunstâncias, os atenuantes (se houver) e a pena.

Impressiona ver que crime transmitido pela TV é considerado obra de ficção nesse País!

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