o que nem sempre é dito, mas deveria ser

                Certa vez, passeava com minhas duas cachorrinhas na avenida Liberdade quando um garoto tentou chutar uma delas. Instintivamente, joguei minha mão contra ele, mas ao ver que se tratava de uma criança que teria no máximo três anos, minha mão parou antes de atingir seu rosto. Estava perplexa quando ouço alguém, a pelo menos cinco metros de distância, do lado de dentro de um supermercado, gritar: “Você não pode bater no meu filho.”

Nem me ocorreu perguntar o que o garoto fazia sozinho na calçada, pois ele poderia sair para o meio da rua e ser atropelado. Apenas respondi, irritada, que eu não tinha batido, mas que ele estava chutando minhas pequenas cachorros (cada uma têm quatro quilos e eu costumo dizer que não são cachorros de verdade, mas apenas bichinhos de pelúcia vivos).

Bom, só depois disso é que ela saiu do mercado e veio para junto do filho; não para cuidar dele, mas para bater boca comigo. Durante a discussão do tipo, você bateu/eu não bati, o garoto ainda tentou bater em uma das minhas cadelinhas salchichas. Eu falei para o garoto, apontando o dedo para a cara dele “Não se bate sem motivo, assim; não se deve bater em cachorro.” (A sorte dele é que minhas cachorrinhas são dóceis, mas um cachorro de temperamento mais agressivo poderia reagir e, depois, diriam que o bicho é bravo, que deveria ser sacrificado…) E também disse à mãe que era preciso educar a criança desde pequeno.

Qual não foi o meu espanto ao ouvir da mãe: “mas por que tudo isso? É só um cachorro!” Foi aí que comentei, pensando em voz alta: “como você pode dar a ele o que você não tem? Você não tem educação, como pode educá-lo?” Ela, então, pegou o garoto e saiu correndo dali.

Mas é algo extremamente grave quando um garoto agride um bicho que está apenas passando na rua e a mãe diz que é só um cachorro, como que a dizer que o cão não merece respeito. Provavelmente tiveram mães assim os garotos que há algum tempo queimaram um índio em Brasília porque pensaram que era só um mendigo, ou os pitboys que surraram uma empregada doméstica que aguardava o ônibus no Rio porque pensaram que era uma “só” prostituta.

Gente que não é capaz de demonstrar respeito por um cão não respeita nada nem ninguém. Aliás, cães sempre demonstram amizade incondicional pelos seres humanos, mas o inverso não é verdadeiro e, por isso, costumo dizer que minhas cachorras são mais gente que muita gente por aí.

Isso tudo é um desabafo ao ver tanta crueldade gratuita com os animais ultimamente, desde a doida que matou um pobre yorkshire até a assassina fria que desovou cerca de 30 corpos de cães e gatos em uma noite. Ah, não podemos esquecer do mecânico que torturou o rotweiller dele porque ficou descontente com alguma coisa que ele fez.

O sujeito não faz isso com outros seres humanos por pura covardia, já que teme consequências. O sadismo contra animais é apenas um escape para personalidades doentes, que precisam extravasar sua crueldade. Se não tivessem bichos indefesos à sua mercê, fariam isso com seus semelhantes.

Anúncios

Comentários em: "“É só um cachorro!”" (4)

  1. Carlos Mangino disse:

    Eu tinha uma shinauzer, que faleceu no dia 02/01/2012, ainda estou muito triste. Mas nestas situações eu deixava ela se defender, pelo menos um pouco.

  2. bom, minhas cachorras são bem mansas e não se pode ensinar um bichinho desses a ser agressivo, até porque aí vão dizer que o cão é que atacou e depois pedem que se sacrifique o animal. Quem convive com esses bichos, sabe que eles não atacam gratuitamente. Cães agressivos são raríssimos, mas muitos donos irresponsáveis gostam de estimular a braveza dos bichos porque acham, indevidamente, que assim eles serão bons cães de guarda.

    • Carlos Mangino disse:

      De uma olhada http://flic.kr/p/7xnZxE até a ração ou o bife ela mordia delicadamente, muito carinhosa, mas tinha um latido forte que impunha respeito.

      • Sei como é isso. O fato é que muitos seres humanos aproveitam que esses bichinhos não são capazes de falar a nossa língua para dar vazão a suas frustrações. Felizmente, muitos começam a perceber que eles são “maquininhas de carinho”.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Nuvem de tags

%d blogueiros gostam disto: