o que nem sempre é dito, mas deveria ser

Lembro-me de uma única vez que um trailer foi decisivo para me levar a assistir a um filme. Na verdade, foi uma única cena. Os marcianos invadiam a Terra e entravam em um corpo a corpo com os seres humanos nas cidades deste planeta. Um terráqueo em fuga acaba encurralado pelo alien em um beco e resolve mudar de tática. Puxa um cartão do bolso de seu paletó e diz: “Se vocês querem dominar esse planeta, vão precisar de um bom advogado. Por um acaso, sou advogado e posso prestar serviços para vocês. Aqui está o meu cartão.” Imediatamente, ele é fulminado por um raio que sai da arma alienígena.

O filme é “Marte Ataca”, uma sátira de películas ao estilo de “A Guerra dos Mundos”, mas a perspicácia dessa cena talvez seja a mais aguçada que já vi no cinema de entretenimento ao colocar a observação de que advogados podem transformar seus clientes nos donos do mundo. Os fatos que observamos hoje mostram que a ideia não é caricata. Muito pelo contrário, é a pura realidade.

O movimento Ocupe Wall Street, por exemplo, questiona o fato de o sistema financeiro estar estruturado para favorecer poucos em detrimento de muitos. Nos EUA, eles reclamam que os bancos colocaram artifícios nos contratos imobiliários que levaram a população a dever tanto que praticamente restou-lhe apenas a roupa do corpo.Aqui, quem não foi surpreendido por taxas de cartão de crédito ou de cheque especial? E ao questionar, descobre-se que essas taxas estavam previstas nas entrelinhas dos contratos. Ou, se não estavam, quem tem tempo e dinheiro para recorrer à Justiça contra isso. O pior é que quase sempre a administradora ou o banco reajustam, unilateralmente, o valor de taxas e multas e fazem os clientes pensarem que eles têm a obrigação de pagar o que essas empresas pedem.

Multinacionais de vários outros setores também recorrem a advogados para dominar o mundo. Primeiro com lobby para a adoção de normas de licenciamento a seu favor em todo o globo. Depois, para cobrar a aplicação dessas normas. Assim, empresas que registram patentes de transgênicos, por exemplo, vão cobrar de agricultores simplórios dízimo através dos tribunais. Alegam que têm direito a parte da produção que foi obtida a partir de suas sementes. Poderá chegar o dia em que gravadoras poderão cobrar pelos direitos de reprodução de músicas tocadas em festas particulares!

O grande porém acerca do domínio do mundo sem armas por parte de grandes corporações, entretanto, é ainda mais aterrorizante (sim, são empresas terroristas!). Elas tentam submeter governos a seus propósitos. Em várias crises recentes, inclusive no Brasil, vemos que os Tesouros nacionais transferem recursos a bancos sob o argumento de que não se pode deixar o sistema financeiro quebrar, o que levaria o país à falência. Esses recursos são “emprestados” sem garantias a juros de pai para filho. No Brasil, isso ganho o nome de Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional).

Queria deixar bem claro que não tenha nada contra advogados que trabalhem em prol da Justiça, mas sim contra aqueles que buscam dominar o mundo e torná-lo mais injusto.

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