o que nem sempre é dito, mas deveria ser

Os Estados Unidos deram o calote no mundo e provocaram o caos na economia mundial. O dia fatídico foi 15 de agosto de 1971. Nessa data, o então presidente Richard Nixon anunciou que não iria mais honrar o compromisso de trocar dólares pelas reservas em ouro estocadas em Fort Knox, o lugar onde Washington deposita seu tesouro em metais preciosos. Desde então, sucessivas crises financeiras abalam o mundo.
Em 1944, ao se aproximar o final da Segunda Guerra, um grupo de 45 países aliados se reuniu em Bretton Woods, nos Estados Unidos, para criar as regras que iriam reger a economia mundial, evitando assim um novo conflito. O encontro resultou no que ficou conhecido como o Acordo de Bretton Woods. Por ele, foram criadas várias instituições, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), e ficou definido um sistema para manter a estabilidade das taxas de câmbio.
Todas as moedas seriam atreladas ao dólar americano, que, por sua vez, deveria ter um valor sólido. Assim, o Tesouro dos Estados Unidos era obrigado por lei a trocar os dólares em poder de qualquer país estrangeiro por ouro, à taxa oficial de US$ 35 a onça (unidade de cerca de 33 gramas). O guichê do ouro era o lugar onde os dólares eram resgatados. Por esse mecanismo, os EUA seriam os guardiões do sistema financeiro internacional e, por isso, não poderiam emitir mais moeda do que o volume de suas reservas de ouro.
A estabilidade proporcionada por esse sistema permitiu uma prosperidade sem precedentes na década de 50, que ficou conhecida como “os anos dourados”. Mas havia uma fragilidade que demorou a ser descoberta: deixou-se para a raposa a tarefa de tomar conta do galinheiro. Para financiar a guerra do Vietnã, os EUA não aumentaram os impostos. Em vez disso, passaram a emitir cada vez mais dólares, sem as devidas reservas em ouro.
Em meados dos anos 60, muitos países começaram a desconfiar que os os cofres de Fort Knox não tinham ouro suficiente para que Washington honrasse seu compromisso e muitos passaram a trocar suas reservas de dólar no guichê do ouro. Por volta de 1971, os EUA tinham o equivalente a US$ 14 bilhões em ouro em seus cofres, enquanto os governos estrangeiros dispunham de cerca de US$ 300 bilhões em reservas. A situação interna também não era das mais animadoras: inflação galopante, déficit público, desequilíbrio da balança comercial…
Diante do caos econômico, o presidente Nixon anunciou um pacote de medidas em 15 de agosto, um domingo fatídico. Uma delas surpreendeu o mundo: o fim da convertibilidade do dólar em ouro. Foi quando Washington deu o maior calote da história nos mercados mundiais. A medida, unilateral, surpreendeu a todos e colocou um problema para o resto do mundo. Admitir o calote seria reconhecer a própria falência. Em vez disso, resolveram criar um sistema de câmbio sem referência ao ouro e que permite a flutuação livre das moedas.
Esse sistema lembra o “jogo do mico”, muito popular entre as crianças antes da era dos computadores. É jogado com um baralho com figuras de animais em que todo bicho tinha o seu par, exceto o mico. Os jogadores iam trocando cartas para fazer pares e quem ficasse com o mico era o perdedor. No caso de mais de dois jogadores, ganhava o que fizesse mais pares.
Os dólares sem valor foram para os paises da Opep nos anos 70. Sem saber o que fazer como eles, os governos árabes depositaram os “petrodólares” nos bancos ocidentais, que ficaram com os cofres abarrotados e se puseram a emprestar indiscriminadamente o dinheiro. Esse mico passou para os países latinoamericanos nos anos 80, gerando a chamada “crise da dívida” externa. Equacionado problema, o mico foi parar nos mercados emergentes asiáticos, onde houve novas crises no final dos anos 90; depois, o mico voltou aos EUA (que voltaram a financiar novas guerras no Afeganistão e Iraque com a mágica de não recorrer ao aumento de impostos) e foi parar na Europa…

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Comentários em: "O calote dos EUA" (1)

  1. Daiane disse:

    muito bom sobre a economia do mundo

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