o que nem sempre é dito, mas deveria ser

Levantamento da consultoria Mercer indica que São Paulo é a cidade mais cara das Américas e a décima mais cara do mundo, entre as 214 pesquisadas. Com uma passagem de ônibus ou metrô que praticamente chega a US$ 2, a notícia não deveria causar grandes surpresas. Mas provoca muita indignação.

Na última década, a paulicéia ficou ainda mais desvairada do que nos tempos de Mário de Andrade. Seu custo de vida subiu à estratosfera, enquanto a qualidade de vida afundou como um Titanic. Qual a principal causa? Governos que estão mais ocupados com normas e negócios do que com a cidadania.

Há normas para tudo, como por exemplo, para a entrega de mercadorias em estabelecimentos comerciais na região mais central da cidade. Não são permitidos caminhões grandes antes das dez da noite e após as seis ou sete da manhã (não estou bem certa do horário, pois para mim isso é hora em que estou dormindo). Resultado: pequenos lojistas são obrigados a pagar hora-extra para poder reporem seus estoques de noite e a conta vai para os consumidores. Motivo alegado para uma norma como essa: preservar a fluidez do trânsito. Questão real: o trânsito paulistano é caótico porque não há alternativa de transporte público decente, motivo pelo qual todos preferem o transporte individual (carro próprio).

Outra norma estúpida do prefeito Kassab: foram proibidas placas comerciais e painéis com mais de dois ou três metros quadrados. Motivo alegado: combater a poluição visual. Resultado: a cidade perdeu seus pontos de referência e fica difícil se orientar nela. Quando se indica um endereço, não há mais referências visíveis para explicar o trajeto a quem desconhece a região. Há alguns dias, fui com uma amiga comprar alguns itens para a reforma da empresa dela. Entramos em uma loja pensando que era outra porque não havia uma placa com visibilidade suficiente. Soubemos depois que o estabelecimento em que pretendíamos ir ficava ao lado do primeiro, que por sinal dedicava-se ao mesmo ramo: materiais de construção.

Sem transporte público decente, a cidade também sofre com a poluição atmosférica. Kassab foi muito enérgico para coibir camelôs nas ruas das áreas nobres da cidade, mas não tem a mesma energia para conter a poluição sonora de bares e estabelecimentos semelhantes nessas mesmas áreas. A especulação deixa um número absurdo de imóveis vagos e o preço dos aluguéis disparou, razão pela qual a habitação está se deteriorando nas áreas mais antigas da cidade com o surgimento de novos tipos de locação. Apartamentos ou casas mais espaçosos estão se transformando em repúblicas de ou pensões de luxo.

Enfim, a Paulicéia está ficando cada vez mais desvairada.

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