o que nem sempre é dito, mas deveria ser

Dizem que a história se repete duas vezes: a primeira como tragédia e a segunda já é uma avacalhação: farsa, segundo alguns; ópera bufa, em outras versões; ou simplesmente como uma piada de mau gosto. A atual crise das finanças globais parece ser tudo isso (farsa, ópera bufa e piada de mau gosto), além de outras coisas mais.

Para quem não se lembra, duas ou três décadas atrás vivíamos a crise da dívida do Terceiro Mundo. A economia brasileira ia mal das pernas, a dívida externa era impagável e o futuro parecia negro (talvez por isso que o Brasil elegeu um presidente collorido, mas a situação continou preta). Hoje, são os países que eram ricos os que não conseguem pagar suas dívidas. Mas a situação levanta uma questão que ainda não foi devidamente abordada: qual o papel dos bancos?

A rigor, os bancos seriam (ou deveriam ser) um serviço capaz de promover o desenvolvimento das nações. Mas eles foram se sofisticando, criaram novos serviços e começaram a gerir fortunas.

Nos anos 70, seus cofres foram inundados por petrodólares (para quem não sabe, quando o preço do petróleo começou a subir, os países árabes começaram a usar bancos ocidentais para estocar os dólares que começaram a aparecer em profusão em suas contas) e eles não sabiam o que fazer com essa grana. Resolveram então emprestar para os países do Terceiro Mundo, que eram carentes de dinheiro. Chegava-se ao cúmulo de resolver em uma única tarde um crédito de algumas dezenas de milhões de dólares. Ou seja, os banqueiros foram irresponsáveis.

Veio a crise da dívida e milhares de miseráveis no Terceiro Mundo foram penalizados pela incompetência dos banqueiros. Discutia-se na época se os acionistas pagariam pela inadimplência dos governos de alguns países e, claro, tentava-se atribuir a culpa a esses governantes. Ao perceberem que não teriam como receber tudo o que pretendiam, os bancos abriram mão de algumas exigências absurdas e a tal crise se resolveu.

Nos anos 90, houve um período de bonança econômica e os bancos, novamente, não sabiam o que fazer com o dinheiro guardado em seus cofres. Deram o mesmo golpe, oferecendo dinheiro barato e depois elevando juros ao ponto de as dívidas ficarem impagáveis. Só que desta vez, emprestaram aos ricos (que agora são ex-ricos).

E, mais uma vez, milhões de pessoas ficam sem emprego e enfrentam dificuldades para garantir os dividendos dos acionistas, que nunca se deram ao trabalho de fiscalizar o que os gestores de suas empresas faziam (apesar das babaquices que se veem nas novelas de TV, dinheiro impõe muita responsabilidade; pelo menos é assim na vida real). A grande farsa que se apresenta é que em vez de discutir o papel dos bancos, discute-se cortes em orçamentos e em empresas para pagar dívidas impagáveis. Por que ninguém questiona o verdadeiro papel dos bancos, que é o de ser um agente promotor do desenvolvimento?

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