o que nem sempre é dito, mas deveria ser

                Um filme que fez muito sucesso nos anos 60 recebeu o título no Brasil de “Os russos estão chegando”. O enredo, em tom de comédia, iniciava com um submarino russo perdido que acaba por encalhar na costa dos Estados Unidos. Precisando de reparos, os tripulantes são obrigados a sair e circular pela cidade, em busca de suprimentos e ajuda. Mas estão apavorados com os americanos, que também os temem como se fossem comedores de criancinhas.

Após uma série de peripécias, americanos e russos descobrem que todos são apenas seres humanos e conseguem se entender. A cena final mostra a Força Aérea dos EUA observando o submarino, que navega na superfície escoltado pelos barcos pesqueiros do vilarejo onde os russos haviam desembarcado. Os pescadores resolveram proteger seus amigos até que chegassem em alto mar e pudessem submergir em paz e voltar para casa.

Na época, não percebi que se tratava de uma crítica mordaz à guerra fria. Mas a mensagem ainda é atual: russos e americanos se temiam porque não se conheciam mutuamente. A partir do momento em que passaram a ter contato, puderam ver que seus temores eram infundados. É uma ilustração brilhante da importância de se buscar informação e não dar crédito a versões prontas.

Por que relembro de um filme tão antigo que parece esquecido no tempo? Porque me parece que a guerra fria de (des)informações continua atual. O 11 de Setembro foi impressionante. Mas como sabemos qual a verdadeira participação de Osama Bin Laden naquela tragédia? Como saber quem mais poderia estar envolvido naquilo? Quais as verdadeiras responsabilidades?O que aconteceu realmente? Até hoje, não há uma imagem que permita concluir que o Pentagono foi realmente atingido por um dos aviões sequestrados, razão pela qual muita gente afirma que foi um míssel a atingir o prédio que abriga o alto comando militar dos EUA.

Há uma série de pretensas “verdades” que circulam pelo mundo há dez anos sem que ninguém saiba quais os seus fundamentos: os detalhes do 11 de Setembro, a responsabilidade de Bin Laden, o poder da Al Qaeda… A disseminação dessas (des)informações é uma forma de terrorismo, pois incute o pavor nas pessoas e as faz agir de modo irracional.

Por isso, pode-se considerar como verdadeiros terroristas não Osama Bin Laden e sua turma, mas os presidentes dos Estados Unidos nas últimas décadas, além de muitos cineastas daquele país, que insistem em fazer filmes catástrofes, em que o resto do universo (terroristas, comunistas, psicopatas, ETs e tudo o mais que se possa imaginar) quer acabar com os americanos e, portanto, constitui uma ameaça. Essa pretensa ameaça seria uma justificativa para se agir atropelando todas as regras que a civilização construiu até hoje já que se acredita em uma ameaça à própria sobrevivência.

Hoje é importante buscar informações adequadas e causa espanto a recusa de Barak Obama em mostrar as fotos de Bin Laden morto. Aliás, Obama parece ter se eleito com um discurso bem mais avançado que seu antecessor, mas sua prática deixa muito a desejar. Ainda veremos muitos desdobramentos dessa recusa de Obama em fornecer informações sobre uma ação militar ilegal em território estrangeiro. Mas como o povo gosta de circo (como os romanos já sabiam há dois milênios), Obama poderá posar de herói nesse enredo de filme trash

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Nuvem de tags

%d blogueiros gostam disto: