o que nem sempre é dito, mas deveria ser

Considero-me uma observadora atenta da realidade, qualidade comum a jornalistas (e, portanto, nada de excepcional ou motivo para me gabar). Assim, há tempos venho observando que enquanto muito se fala em qualidade de vida, as pessoas insistem em se autoafirmar com atitudes que vão justamente no sentido contrário.

É o caso, por exemplo, da executiva que conta (com orgulho mal disfarçado) que manda e-mails para acertar detalhes do trabalho às 11 da noite e as 7 da manhã já está mandando instruções para seus subordinados. A mensagem que busca transmitir é que ela cuida de tudo, que é uma pessoa responsável e atenta ao seu trabalho. Mas a verdade é que isso é um exercício de exibicionismo. Se precisa ficar ligada no trabalho das 7 da manhã até as 11 da noite, o que realmente acontece é que ela não está dando conta de suas responsabilidades.

Por toda a parte, vejo pessoas assim. E observo muito além disso. No caso dessa executiva, ela aparenta pelo menos 15 anos a mais que sua idade cronológica. E talvez sua idade emocional seja igual a de uma criança querendo mostrar para a mãe que é uma pessoinha cheia de qualidades, uma menina superpoderosa. O grande problema, porém, é outro: ela não tem qualidade de vida, e não permite que sua equipe tenha.

Parece que o Brasil foi invadido por um exército de meninas e meninos superpoderosos, uma praga que dizima a qualidade de vida nesse país.

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