o que nem sempre é dito, mas deveria ser

               Hoje, leio que o senador Roberto Requião tomou o gravador de um reporter e só o devolveu horas depois, com a gravação de sua entrevista apagada. No twitter, o senador declarou: “Na minha pág, a entrevista que eu não quis que a Band divulgasse. É minha, divulgo eu, na íntegra e sem edição. http://bit.ly/fzIayP” Lógico que fui verificar o que houve. Nada bombástico: apenas uma pergunta incômoda, que irritou o senador, detonou todo esse quiprocó!

Faz parte do ofício do jornalista fazer perguntas incômodas. Pelo menos do verdadeiro jornalista. Esse sim, incomoda muita gente. Mas hoje o que mais há são profissionais de relações públicas travestidos de jornalistas, que contam os fatos apenas pela ótica do entrevistado, e muitas fontes (algumas até de importância absolutamente insignificante) acham que têm o direito de ditar o que o jornalista deve escrever. Os jornais acham que conseguirão mais receita publicitária dando a versão de grandes empresas ou empresários e o resultado é que o verdadeiro jornalismo é coisa rara por aqui.

Costumo dizer que não há profissão que trabalhe mais com a vaidade do que o jornalismo. Salões de beleza lidam com a vaidade do que é paupável e visível diante do espelho. O jornalismo, ao contrário, lida com uma vaidade invisível e muito mais perversa. É a fonte querendo passar uma imagem impecável, que normalmente é fake. É o coleguinha (termo com que os jornalistas designam seus pares) enciumado porque outro conseguiu dar o furo que ele gostaria de dar. É o foquinha se achando o grande jornalista a ponto de achar que seus textos devem ser enquadrados e exibidos na parede. É o chefe de reportagem perseguindo algum subordinado apenas porque quer provar que é o mais poderoso do pedaço…

Mas o problema é que parece estar virando moda essa mania de fonte achar que pode determinar o que o jornalista pode perguntar, o que ele deve escrever… Alguns chegam a querer impor condições para dar uma entrevista (do tipo: só dá entrevista se puder ver a matéria antes de ser veiculada ou se puder determinar os assuntos da pauta). No caso do senador, ele é um homem público e deve satisfações à sociedade, jamais poderia se recusar a falar de assuntos espinhosos.

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