o que nem sempre é dito, mas deveria ser

Impossível esconder a má fé que há nessa insistência da grande imprensa em fazer estardalhaço por causa dos passaportes diplomáticos concedidos a autoridades, congressistas e respectivas famílias. Não há nada de ilegal ou de excepcional nisso uma vez que a própria lei permite o pedido de passaportes especiais. Pode-se até questionar se é correto ter uma lei com este teor, mas isso não depõe contra quem dela se beneficiou.

Há tempos que a imprensa vem tratando o noticiário político da mesma forma que as notícias policiais de antigamente: com sensacionalismo. E o pior: fazem o leitor desavisado crer que política é apenas um jogo de intrigas palacianas, e não uma negociação complicada de propostas e compromissos. O relato lembra o daquelas briguinhas de terceiro ou quarto ano primário, em que um garotinho não gosta do outro e chama os amigos para ficarem contra seu desafeto…

A política é um palco de negociações intricadas que envolvem diversos atores e grupos sociais. Ou seja, quando se negocia um programa como o Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, está se negociando projeto que beneficia diretamente empresas de construção civil e classes populares que não têm casa própria, mas indiretamente também ganham outros atores, como profissionais do setor de serviços (que no futuro terão maior clientela).

Quem perde? Talvez um pequeno segmento de uma classe média remediada que antes teve amplo acesso a um crédito restrito e hoje vive de alugar seu segundo imóvels, alguns bancos ou financeiras que provavelmente não conseguirão mais impor taxas escorchantes (tive um chefe em uma redação que adorava esse adjetivo) em certas linhas de crédito popular e, quem sabe, um bando de políticos que adoram prometer coisas a gente desassistida e usar esse pessoal como massa de manobra em negociações não muito éticas.

O bom jornalismo deveria noticiar os fatos com a maior isenção possível e reservar as páginas de editorial para exprimir suas opiniões. Pelo menos é o que diz qualquer manual de jornalismo. Mas ultimamente as páginas de noticiário se confundem com editoriais. E muitos jornalistas e donos de jornais acreditam que constituem o tal quarto poder, capaz de decidir os destinos de uma nação. Quando vão se dar conta de que estão simplesmente viajando na maionese?

 

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Comentários em: "Passaporte para a má fé" (3)

  1. “Mas ultimamente as páginas de noticiário se confundem com editoriais.”

    Perfeito. A discussão sobre os passaportes poderia – e deveria- seguir por outra vertente, mas vejo a “grande imprensa” tratando o caso de modo histriônico e populista. Depois querem falar do Luís Inácio…

  2. Silvia, eles sabem como conjugar o verbo “tapiocar”. Parabéns pelo blog. Abraços.

  3. Pois é Silvia, pensávamos que havia acabado a “guerra” das eleições de 2010. Mas o que parece é que apenas começaram a de 2014.

    Abraços

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