o que nem sempre é dito, mas deveria ser

Muitos anos atrás, uma amiga minha que tinha um garoto de oito anos teve um novo bebê, o André. No início, o irmão ficou encantado. Mas depois de alguns dias, percebeu que tinha perdido o trono e a posição de reizinho da casa. Então, foi conversar com a mãe que já estava na hora de o André ir embora. Minha amiga respondeu, obviamente, que não havia como mandar o André embora. O irmão ciumento respondeu, na maior naturalidade: “então a gente mata ele.”

A mente infantil costuma ser egocêntrica e tem dificuldade de enxergar os pontos de vista alheios. Qualquer coisa que não esteja de acordo com os seus desejos a irrita e essas crianças acabam quebrando brinquedos para extravasar a raiva. Por isso, em sua visão limitada, para o filho de minha amiga bastava matar o irmão para resolver o problema.

Por que trago essa história, perdida no tempo, à tona? Porque as ameaças de morte à presidente eleita Dilma revelam uma faceta pouco explorada do povo brasileiro: a infantilidade. Pessoas que não amadureceram, quando adultas pensam em matar seus desafetos para resolver seus problemas emocionais. Resolve? Obviamente, não.

Às vezes, nem desafetos são, como é o caso de Dilma Roussef. Nossa presidente é uma mulher do tipo low profile. Ao contrário do ex-presidente Lula, que gosta dos holofotes, ela sempre trabalhou nos bastidores. Mas trabalhou direito e boa parte das conquistas sociais dos últimos anos é fruto do trabalho de Dilma.

Mas gente infantil não suporta ver algo além de seu próprio umbigo e o destaque de outra pessoa é considerado ofensivo. Nem todos, é claro, acabam expressando o desejo de matar. Mas são essas mesmas crianças crescidas que, incapazes de dialogar, vociferam contra nordestinos, pobres, pretos e tudo o mais que sua vista possa alcançar.

Quando será que vamos poder dialogar? Chegará o dia em que poderemos nos contagiar com a alegria alheia? Poderemos morar em um lugar em que a tristeza tenha sido banida? Essas divagações me fazem lembrar de uma frase famosa: “You may say I’m a dreamer, but I’m not the only one”. John Lennon, e toda a minha geração, achava que era possível mudar o mundo para melhor. Mas para isso, antes precisamos amadurecer.

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