o que nem sempre é dito, mas deveria ser

Pelo que tenho observado, pouca gente se deu conta da importância que tem o último vazamento de informações do Wikileaks, sobre a diplomacia americana. Ficam mais nos detalhes e muitas vezes insistem em encontrar pelo em ovo. O Wikileaks iniciou uma revolução que vai mudar profundamente a vida de todos nos próximos anos.

Antes de prosseguir, acho bom esclarecer o pelo em ovo que mais atenção chamou dos brasileiros: as conversas do ministro da Defesa, Nelson Jobim, com o embaixador americano em Brasília, Clifford Sobel. Jobim está sendo apelidado de X-9. Para quem não sabe, há uns 50 anos existia uma revista com esse título, especializada em contos e quadrinhos de espionagem e polícia numa época em que a guerra fria estava no auge. A revista morreu entre o final dos anos 60 e início dos 70 (não lembro ao certo quando), mas o título passou a ser sinônimo de delator na gíria. Os documentos do Wikileaks mostram os relatórios do embaixador de suas conversas informais com Jobim, nada mais que isso, e o ministro brasileiro tem o direito de ter opiniões pessoais divergentes das de seus colegas, desde que não as expresse publicamente (o que não aconteceu de fato). Mas um país com uma longa vida ditatorial como a nossa tem a mania de enxegar opiniões diferentes como afrontas.

Em relação ao Wikileaks, boa parte do conteúdo dos documentos que acabam de ser divulgados era até previsível. Afinal, os Estados Unidos sempre tiveram a mania de brincarem de ser o xerife do mundo e sua mania de interferir em questões internas de outros países não é novidade. O que chama a atenção é o ponto em que a brincadeira chegou, como quando Washington pede que seus diplomatas compilem até mesmo dados biométricos e pessoais (como número de cartões de crédito) de seus colegas na Organização das Nações Unidas (ONU), por exemplo.

Alguns relatos dos documentos surpreendem muito – como, por exemplo, o nível das barganhas para a transferência de presos da prisão de Guantanamo para outros países em troca de uma entrevista com o presidente Obama, de dinheiro ou de prestígio; ou a insistência de acusações e pretextos para intervenções no Oriente Médio. A região é vital para os EUA, que não são autossuficientes em petróleo e, por isso, tentam a todo custo manter influência sobre os governos locais.

Mas o que o Wikileaks está fazendo é muito mais que revelar simples fofocas. Está mudando o modo como governos e empresas poderão se comportar a partir de agora no mundo. Boa parte dos fatos que a ONG (o Wikileaks é uma organização não governamental) vem divulgando não é considerado ético e será alvo de campanhas públicas que deverão durar algum tempo. Isso deve obrigar governos e empresas a terem maior transparência em um novo mundo em que não só se deve parecer ético, mas também será obrigatório agir dessa forma.

Assange, em uma entrevista recente à revista Forbes ( http://t.co/fpUtCGw ) revelou que deve publicar em breve documentos internos de um grande banco americano, o que provavelmente vai sacudir o mercado financeiro. Ele também disse ter documentos comprometedores de importantes corporações e isso pode provocar várias reviravoltas no que conhecemos acerca de manter a economia em funcionamento. Quem viver, verá.

Anúncios

Comentários em: "As reviravoltas que o mundo dá…" (1)

  1. Minimizar os fatos, pelos vira latas brasileiros, posso entender.

    Mas porque a Fox News pede o assassinato
    sumario dos “cabecas” do Wikileaks?

    Este e’ o fim da industria da propaganda
    paga.

    A “grande” Midia, nao tem mais o poder.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Nuvem de tags

%d blogueiros gostam disto: