o que nem sempre é dito, mas deveria ser

Vejo essa nova novela do Enem com um misto de incredulidade e espanto. Não sei se a falha nas folhas de resposta justifica a suspensão do exame. O que sei é que sempre tem a turma que busca qualquer pretexto para ter uma nova chance, para justificar seus fracassos, para ficar sempre no mesmo lugar. E essa novela promete se estender ainda por vários capítulos.

O Enem em si é um exame que tem uma história bastante questionável. Em sua criação, foi apresentado à sociedade como um instrumento para medir a qualidade do ensino de modo a gerar informações que permitissem melhorar a educação do País. Mas isso nunca aconteceu.

A adesão ao Enem era muito baixa. Só melhorou quando ele passou a ser usado como instrumento para definir a distribuição de bolsas do Pró-Uni. Aumentou ainda mais quando o Enem foi transformado em porta para a universidade pública com a sua utilização no processo seletivo dessas escolas. Nada mais se falou em relação ao seu caráter de ferramenta para melhoria do ensino brasileiro. Aliás, essa história ficou esquecida nas brumas do passado e é difícil resgatá-la.

Hoje todos elogiam o tipo de prova do Enem, considerada bem-elaborada, e seu caráter democratizante, já que permite que com uma única prova o estudante concorra a vagas em qualquer região do País. Mas há uma batalha subterrâea por trás disso. Muitos docentes denunciam o Enem como uma forma de se impor um projeto específico de educação sem que ele fosse submetido ao debate e ao exame imparcial da sociedade. A premiação com bolsas do Pró-Uni e a porta aberta para as universidades públicas seriam nada mais do que a forma de se “comprar” o apoio de todos a uma coisa que foi imposta de cima para baixo.

Desde o vazamento das questões no ano passado, questiona-se a competência da instituição responsável pela prova, mas a própria conveniência do Enem ainda não foi criticada pelos principais interessados, que são os estudantes e professores. Será mesmo que nos interessa ter um Exame Nacional do Ensino Médio?

Para mais informações acerca desse debate, acesse: http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas_sesc/pb/artigo.cfm?Edicao_Id=365&breadcrumb=1&Artigo_ID=5653&IDCategoria=6509&reftype=1

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Comentários em: "A novela do Enem" (2)

  1. Burguesinha,burguesinha,burguesinha,ela tem o que quer...♪ disse:

    A você,com certeza,não deve interessar.

  2. Bem, eu sou professor e a crítica que faço ao ENEM é justamente essa: foi imposta sem grandes discussões inclusive por parte do magistério. Por exemplo, ainda hoje são discutidos aspectos da LDB, enquanto o ENEM é visto como uma espécie de “vestibular”.

    Mas eu elogio a prova em si que sai um pouco do esquemão decoreba pura que é cobrado geralmente nos vestibulares e isso vem modificando até o conteúdo em muitos exames mais tradicionais.

    Particularmente não acredito que tal exame possa determinar um índice de como anda a nossa Educação. Na verdade nenhum desses instrumentos – SAEB, ENEM – determina coisa alguma em um país marcado pela desigualdade. Serve para todos os anos a imprensa anunciar com certo estardalhaço que “o ensino da rede particular é melhor” e na página seguinte um anúncio de “colégio tal” enquanto o ensino da rede pública é ruim. Ao menos é o que mostram os números, mas como costumo dizer, os números não mentem , porém disfarçam bastante. Tem muita escola particular que praticamente monta um “cursinho ENEM” aos sábados, mas essa é outra história.

    Abs!

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