o que nem sempre é dito, mas deveria ser

Reflexões

O texto da Maria Rita Kehl(clique aqui .para ler) coloca o dedo na ferida e vem causando muitos comentários pela web. A sua leitura me remeteu a uma série de reflexões que fiz recentemente.

Creio que a mais importante é a constatação de que existe uma ideia de que o Estado deve proteger empresários, inclusive banqueiros, mas aqui no Brasil normalmente se acha que dar auxílio financeiro para trabalhadores é acostuma-los à indolência. Na Europa, ou seja, no chamado Primeiro Mundo que as pessoas acreditam ser um modelo de civilização, o Estado assume como sua responsabilidade a tarefa de garantir vida digna a seus cidadãos. Por que aqui só se acha que se deve adotar tarefas o que interessam diretamente às classes dirigentes? Ou melhor, a certos setores dele, porque há mais de uma década já ouvi um empresário me dizendo que se conseguíssemos melhorar a renda, teríamos um mercado maior e, consequentemente, uma economia mais forte.
Outra questão é que não nos vemos como um povo, do qual fazem parte tanto os meus familiares quanto o zé sem teto que pede esmola na frente da sua casa. Há quem ache que o zé sem teto não tem o direito de ficar na calçada diante de sua casa, como se lá não fosse um local público, como se ele tivesse escolhido morar lá e não estivesse lá por absoluta falta de opção. Resumo da ópera: a visão que prevalece é de que sou eu e minha turma e o resto que se dane. Esse pessoal é o que atrasa o país, que não gosta que os outros se deem bem, ao menos uma vez na vida.
E também verifico que é uma classe média cada vez mais histérica a que se posiciona contra as políticas sociais de Lula, como o bolsa família. Quem é essa classe média? A maior parte é gente que era pobre, como os demais brasileiros que recebem hoje o Bolsa Família, mas por alguma circunstâcia qualquer se deu bem e conseguiu construir algum patrimônio, mesmo que pequeno,  e conquistar certos privilégios. Eles acham que esses privilégios estão ameaçados se a miséria for extinta. Não se identificam mais com sua origem, pobre, porque acham que podem conquistar um lugar entre os muito ricos. Querem extirpar seu passado e ficam consumindo revistas de estilo. A personagem da grande Irene Ravache na atual novela das oito é um retrato desse povinho, que mais parece caricatura.
Mas eu acho que mereço fazer parte de um povo menos caricato, com histórias reais de vida, e não uma caricatura de gente que tenta ser o que não é.
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Comentários em: "Reflexões" (1)

  1. Nivaldo Sanches disse:

    Olá, Silvia, parabéns pleo blog !
    Embora eu não seja um eleitor do PT (já fui, não sou mais!), concordo com você sobre a reação da classe média ascendente sobre o Bolsa Família. Cansei de brigar com amigos que insistem em repetir o surradíssimo chavão – a gente deve ensinar a pescar, e não dar o peixe … Todo mundo parece ignorar o fato de que, ao longo dos 500 anos de históris do Brasil, a gente não dava o peixe, não ensinava a pescar e, se bobeasse, ainda dava com a vara no lombo do pobre …
    Eu fiquei frustrado com o governo do PT, de quem eu esperava uma ação mais concreta na área social do que o simples assistencialismo do Bolsa Família – mas é evidente que é melhor COM o Bolsa Família do que SEM …
    Abraços

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